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Dolce Evo Trip: Seis mulheres e um destino

Um dos benefícios incríveis de saber pedalar é poder viajar de bicicleta. O Brasil é um país rico em roteiros para cicloviagens, embora muitas pessoas considerem perigoso e acreditem que ainda falta infraestrutura para a prática do cicloturismo. Quando comento que viajo de bicicleta, as pessoas inexperientes pensam que o trajeto é o mesmo dos carros e também não consideram a integração entre os diversos modais. Para provar que viajar de bicicleta é tranquilo e seguro, convidei cinco mulheres para me acompanharem em uma cicloviagem pela região do Alto Tietê, formada por municípios próximos à nascente do Rio Tietê. O rio nasce em Salesópolis e percorre parte dos municípios de Arujá, Biritiba Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Poá, Santa Isabel e Suzano, até chegar à capital.

Alto Tietê possui estâncias turísticas e polos industriais com uma produção variada e riquíssima, que vai desde artigos manufaturados até verduras e legumes, passando pelas flores e pela água que abastece milhares de pessoas da região e da zona leste paulistana.

Para esta cicloviagem, escolhi fazer o percurso entre as cidades de Mogi das Cruzes e Guararema.

Mogi das Cruzes possui mais de 424 mil habitantes, e é o maior e mais desenvolvido município da região do Alto Tietê. Situado a uma altitude média de 780 metros, é cortado por duas serras: a Serra do Mar e a Serra do Itapeti, onde está localizado o seu ponto mais alto, o Pico do Urubu, com 1.160 metros. Em seu território se encontram duas represas que fazem parte do sistema produtor do Alto Tietê, os reservatórios de Taiaçupeba e do Rio Jundiaí.

Recentemente, a prefeitura de Mogi das Cruzes lançou o projeto Pedala Mogi, um circuito de ciclofaixas pela região central da cidade, com ponto de partida e chegada no Parque Botyra Camorim Gatti. As ciclofaixas estão abertas todos os domingos, das 8 às 13 horas, até o dia 16 de fevereiro de 2016. A sinalização do trajeto já foi implantada pela Secretaria Municipal de Transportes. O trajeto com 2,7 mil metros tem como objetivo mostrar às pessoas a beleza da região central, dentro do processo de revitalização e valorização que vem sendo colocado em prática pela administração municipal.

Guararema fica a 81 km da capital, localizada no extremo leste da Grande São Paulo, ao lado da região do Vale do Paraíba, no interior paulista. Por conta das belezas naturais, Guararema vem apostando no turismo como uma nova fonte de recursos para o desenvolvimento socioeconômico, com seus vários atrativos naturais e histórico-culturais.

© Guto Gonçalves – Estúdio 13

O percurso:

Primeiro dia

Partimos do vão do MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, na Avenida Paulista, por ciclovias e ciclofaixas até a Estação da Luz para pegar um expresso turístico até Mogi das Cruzes. Um percurso muito interessante passando pelo centro da cidade de São Paulo. Na Estação da Luz, o embarque com as bicicletas foi tranquilo. É importante informar-se das regras e horários do embarque com bicicletas no site da CPTM ((www.cptm.sp.gov.br). A maior dificuldade na Estação da Luz é o acesso à plataforma do trem, que se dá por muitas escadas. O valor do ticket é baixo.

Mapa do percurso

A viagem até Mogi das Cruzes dura, em média, 50 minutos, sendo necessário fazer baldeação na estação Guaianazes para quem desejar chegar à estação dos Estudantes, em Mogi das Cruzes. O segundo trecho, um misto de asfalto e estradas de terra de 52,5 km com 791 m de elevação, nos levou de Mogi das Cruzes até Guararema.

Mapa do percurso

© Guto Gonçalves – Estúdio 13

Segundo dia

Reservamos o segundo dia para visitar os pontos turísticos de Guararema. Saímos do Guararema Parque Hotel, onde ficamos hospedadas, e pedalamos até Ilha Grande, uma ilha do Rio Paraíba do Sul, localizada no centro da cidade. O espaço foi reurbanizado, ganhou trilhas, playground para crianças, área para prática de exercícios físicos e jardins, além de contar com o Núcleo de Educação Ambiental (NEA), espaço destinado aos debates e aprendizados sobre preservação e respeito ao meio ambiente.

Depois, o pedal seguiu para o Recanto do Américo ou Pau D’Alho. Reurbanizado em 2011, é atualmente um dos pontos mais procurados e o cartão postal da cidade. O Recanto do Américo oferece uma área cheia de recursos naturais que se interligam em uma praça com quiosques, bancos, alambrados, decks com vista panorâmica, banheiros e lanchonete.

As pontes que interligam a praça às ilhas foram construídas sob especificações de normas canadenses e levam o visitante a diferentes pontos sobre as águas do Rio Paraíba do Sul. O Recanto conta com ampla e variada concentração de espécies de mata nativa, remanescentes da Mata Atlântica, além dos recursos fluviais e da centenária árvore Pau d’Alho, com 33 metros de altura.

Visitamos a famosa igreja Nossa Senhora da Escada. A igreja possui uma arquitetura tipicamente barroca, com suas paredes construídas em taipa de pilão. O Arraial da Escada representa a formação do próprio município de Guararema. Situada no bairro da Freguesia da Escada, a 3,5 km do centro da cidade, a igreja resistiu à ação do tempo, passou por reformas e ampliações até ser tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional, no dia 25 de janeiro de 1941. Em 1982, a Igreja passou por uma reforma definitiva, quando foi construída a praça em frente. Esta é a única Igreja do Brasil que possui a imagem de São Longuinho no altar, conhecido popularmente como o santo dos objetos perdidos.

Saindo da igreja pegamos uma estradinha maravilhosa com sentido ao parque da Pedra Montada. O espaço foi construído ao redor de uma bela sobreposição de pedras – cada uma medindo cerca de 9 metros de comprimento por 2,5 m de altura. O Parque Municipal da Pedra Montada oferece acesso confortável ao turista, fazendo do trajeto até as pedras um agradável passeio. O parque fica na Estrada Municipal de Guararema, no bairro Lagoa Nova, quilômetro 8.

Após a visita ao parque da Pedra Montada seguimos para o distrito de Luis Carlos. É um dos atrativos mais incríveis da região. O distrito de Luis Carlos passou por um processo de revitalização e abriga a estação ferroviária de mesmo nome. Com 100 anos de existência, a Maria Fumaça está na ativa e realiza um passeio de sete quilômetros entre a Estação Central, em Guararema, e a Estação de Luis Carlos. Em Luis Carlos encontra-se a Igreja de São Lourenço, que faz parte da história do povoado. Luis Carlos é sem dúvida um local a ser visitado, parada obrigatória para cicloturistas.

Neste dia, percorremos 59,8 km com 1.421 m de elevação.

Mapa do percurso

© Guto Gonçalves – Estúdio 13

Terceiro dia

No terceiro e último dia da cicloviagem, saímos de Guararema e seguimos para Mogi das Cruzes, passando por Sabaúna e César de Souza. Visitamos o Parque Centenário da Imigração Japonesa. A área do atual Parque Centenário já foi, na década de 70, uma importante fonte de extração de areia para o Município de Mogi das Cruzes, através da Empresa de Mineração Lopes, que explorou o mineral utilizando a técnica de desmonte hidráulico nas proximidades das margens do Rio Tietê. Com o esgotamento do minério, o lençol freático que alimenta o Rio Tietê aflorou, formando os enormes lagos atuais. Após um período de inatividade, o local foi utilizado como pesqueiro.

Em meados de 2007, foi idealizado um parque homenageando o centenário da imigração japonesa e, em 28 de junho de 2008, foi inaugurado o Parque Centenário. Com 21,5 hectares, sua área inclui quatro lagos com pontes flutuantes em estilo oriental, a Praça do Imigrante, espaço Bom Odori–Samba, Pavilhão das Bandeiras, entre outros. O parque está inserido na Área de Proteção Ambiental da Várzea do Rio Tietê. Em alguns trechos das margens do rio foram plantadas mudas nativas visando restaurar a mata ciliar existente. Em outros pontos, somente o enriquecimento florestal. No interior do parque, entre as espécies plantadas estão ipês, paineiras, quaresmeiras, palmeiras e uma grande quantidade de cerejeiras, árvore símbolo do Japão. O parque preza por possuir extensa trilha que margeia a faixa de preservação permanente do rio, também por possuir áreas de playground, museus e áreas cobertas para eventos, possibilitando uma maior integração entre a comunidade e o parque urbano. Da avifauna encontrada, existem 86 espécies como quero-quero, anus, sabiás, saíras, socós e garças, entre outros.

Na passagem pelo parque em um gesto de agradecimento a cidade que nos acolheu, realizamos uma solenidade de plantio de uma árvore, uma muda de Ipê Amarelo. Viajar de bicicleta já é, para mim, algo bastante significativo e crucial para o meio ambiente; se puder, em uma cicloviagem, ainda plantar uma árvore por onde passar, é ainda mais especial. Plantar uma árvore é ter um contato íntimo com a natureza.

Findada a visita ao Parque Centenário, seguimos para um pedal pelo centro histórico da cidade, onde há construções com mais de 200 anos que hoje abrigam serviços culturais. Com 453 anos, as ruas de Mogi das Cruzes guardam parte da história da cidade na forma de prédios antigos, alguns totalmente restaurados, que são lembranças vivas de outras épocas.

Passamos por diversos pontos importantes da cidade. Entre eles, a Igreja matriz de Sant’Anna, que foi construída no mesmo local onde foi erguida a primeira capela do povoamento. Esta igreja marca o Centro Histórico inicial da cidade de Mogi das Cruzes. Em 1952 foi idealizada pelo Monsenhor Roque Pinto de Barros, Vigário da Paróquia, uma nova igreja matriz. O projeto de sua construção foi inspirado na arquitetura romana dos primeiros templos cristãos, sua fachada compõe-se de um corpo central, correspondente à nave principal, ladeado por duas torres. Um conjunto de três pórticos em arco sobressai-se na formação do adro externo. Sob a torre direita localiza-se o batistério.

Neste dia perfizemos 34,5 km.

Mapa do percurso

Finalizada a visita ao centro histórico, seguimos para a Estação dos Estudantes para fazer o percurso de volta a São Paulo.

Esta cicloviagem é composta de um percurso muito agradável, estradas totalmente pedaláveis e seguras. Para quem não dispõe de muito tempo para se dedicar a cicloviagens, este percurso é perfeito e pode ser realizado em um final de semana, um sábado e domingo.

© Guto Gonçalves – Estúdio 13

Manutenção e ajuste da bicicleta

Antes de partir para a aventura, é fundamental revisar a bicicleta para a viagem. Levar ferramentas e peças sobressalentes, como gancheira e câmera de pneu, são fundamentais para o sucesso da cicloviagem, assim como estar preparada para fazer os pequenos reparos.

Além da manutenção da bicicleta, para uma cicloviagem com conforto e evitando ao máximo o desgaste físico, é fundamental ter a bicicleta ajustada ao seu corpo. As bicicletas das seis participantes foram revisadas e preparadas pela equipe de mecânicos da loja Pedal Power, de São Paulo – SP (www.pedalpower.com.br), e todas as ciclistas fizeram o Body Geometry Fit com o fitter Daniel Aliperti.

Os equipamentos Bicicleta

Um dos objetivos desta cicloviagem foi testar a bicicleta da marca Specialized modelo Dolce Comp Evo. A Dolce Comp Evo é para a ciclista que ama pedalar uma bicicleta de estrada, mas que também é aventureira e arrojada. É para a ciclista que adora descobrir novos caminhos e não quer se limitar ao asfalto. A Dolce Comp Evo foi desenvolvida para enfrentar pedais longos em estradas, terrenos acidentados, de terra, cascalho e paralelepípedos com muito conforto, segurança e pilotagem estável. Com geometria feminina para quem está focada em Endurance, esta bicicleta ajudará a ciclista a superar limites, tanto em termos físicos quanto geográficos. Os enxertos Zertz no garfo amortecem as vibrações dos impactos, proporcionando pedaladas muito mais macias e divertidas.

Bagageiros e Alforjes

Utilizamos os bagageiros e alforjes da Thule. O bagageiro da Thule, além de ser muito leve, possui um sistema de fixação que funciona praticamente com qualquer bicicleta, desde MTBs full a bicicletas de passeio. Podem ser acoplados no garfo dianteiro ou na rabeira da bicicleta. O comportamento do bagageiro é extremamente estável, silencioso e sem vibrações.

Utilizamos os alforjes multifuncionais da Thule, que ofereceu segurança e proteção, pois possui elementos refletivos que chamam a atenção. O design é totalmente à prova d’água com fechamento do tipo roll-top. A costura por solda e o fechamento por cima garantem que o conteúdo seja mantido seco e livre de poeira. Seu sistema de fixação com conexão magnética por baixo é fácil de usar, seguro e sem vibrações. Os alforjes contam com pontos de fixação de luzes convenientes para aumentar a segurança. Seus bolsos internos mantém itens pequenos organizados. As alças integradas e a cinta para ombro destacável possibilitam várias opções de transporte. Podem ser utilizados com praticamente qualquer rack para bicicletas.

© Guto Gonçalves – Estúdio 13

Participantes e suas impressões

Outro objetivo desta viagem era captar o sentimento e a emoção de ciclistas mulheres que nunca haviam participado de uma cicloviagem e também nunca haviam utilizado uma bicicleta de estrada multi-terreno. Convidei cinco mulheres para fazerem parte desta aventura e foi uma tremenda experiência.

Durante alguns dias pensei a respeito do perfil das mulheres que iria convidar. Mais do que preparo físico, era preciso que elas tivessem postura mental adequada para este tipo de aventura. Deveriam ser curiosas, bem-humoradas, colaborativas, solidárias, responsáveis, disciplinadas e divertidas. E eu encontrei mulheres maravilhosas:

  • Marina Richwin, 27 anos, analista de marketing da área esportiva, pedala desde muito pequena.
  • Noemi Mazzaro, 32 anos, trade marketing, ama praticar esporte e não importa o dia ou o horário.
  • Marjorie Vieira Batista, 39 anos, médica infectologista, apaixonada por esportes, em especial os que permitem o contato com a natureza e com outras pessoas.
  • Ana Paula Urzedo, 44 anos, médica dermatologista, sempre gostou de pedalar por lazer.
  • Yara Achôa, 49 anos, jornalista, começou a correr há 10 anos e o esporte mudou sua vida.

Yara considerou a escolha do grupo perfeita. “Estavam ali reunidas mulheres muito parecidas no que diz respeito à determinação, ousadia e coragem”, disse ela, “e como iniciante neste tipo de experiência, pude aprender muito. A organização também é fundamental, e tivemos isso desde que a ideia surgiu. Nossa líder, Claudia Franco, usou seu conhecimento e experiência para nos orientar em tudo. Nada era imposto, mas éramos estimuladas e respondíamos com coragem. E o roteiro foi surpreendente, com cidades tão próximas a São Paulo e tão maravilhosas. Foi muito bem pensado e perfeito para agradar as mulheres. Não foi fácil nem difícil o tempo todo”.

Ana Paula Urzedo também se surpreendeu com o roteiro. “A viagem foi maravilhosa e as cidades de Mogi e Guararema são muito gostosas, com paisagens lindas e pessoas extremamente receptivas”. Para finalizar, Noemi Mazzaro disse que vai guardar a experiência para sempre: “nunca imaginei que seria tão incrível e divertido. Amei o roteiro, não imaginava que a região de Mogi e Guararema era tão linda e acolhedora. Espero poder compartilhar a experiência com outras mulheres, acho que todas deveriam vivenciar algo parecido. Foi inesquecível!”

“Estavam ali reunidas mulheres muito parecidas no que diz respeito à determinação, ousadia e coragem”.

Apoiadores da Cicloviagem

Specialized, Thule, Pedal Power, Estúdio13, Secretaria de Turismo da Cidade de Mogi das Cruzes, Secretaria de Turismo da Cidade de Guararema e Guararema Parque Hotel.

 

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